terça-feira, maio 20, 2008

PARA MARCIEL- V

O TAL DE DESENVOLVIMENTO

A expressão Desenvolvimento, é típica do Liberalismo, da década de trinta do século passado. Até então, não se usava tal palavra para explicar avanços na qualidade de vida ou nos lucros de quem detem o poder econômico. Alias é bom deixar claro que, a duas formas de se pensar o Desenvolvimento, de um País, Estado ou cidade. Em sua maioria, a Burguesia, principal a urbana e industrializada, imagina desenvolver determinada localidade, vendendo seu produto, lucrando com ele, pagando menos possível para o Estado e sem um mínimo de interesse na preservação do meio ambiente. Nesta categoria, podemos incluir os neo liberais, que embora, tenham objetivos idênticos aos primeiros, mascaram estas intenções, se dizendo promotores de ações assistenciais e ambientais, porem sem atacar as raízes das desigualdades sociais. Aqui o desenvolvimento é para inglês, japonês ver.

A outra forma de pensamento, é a que acredita no desenvolvimento econômico de uma região, mas com justiça social. È impossível conceber, que no mesmo espaço possa conviver a riqueza material e tecnológica de poucos, com a pobreza absoluta de uma maioria. É contraditório um município ter uma economia, cujo o Produto interno bruto, seja alto, em função da arrecadação de Impostos de Fabricas e estabelecimentos produtivos, enquanto os pobres vivem em precárias condições de vida e trabalho. O reverso da medalha, é quando um município, sequer investe na industrialização e na economia, provocando com isto a miserabilidade imensa na população.

È claro que a obrigação de superar as desigualdades não cabe apenas a cidade e sim a todos os governos, estadual e federal. Porem no município, é possível criar condições que amenizem a exclusão, façam com que a qualidade de vida, tenha vez no lugar de moradia e de viver.

Limeira teve seu boom “progressivo”, no final dos anos 60 até meados dos anos 80. A cultura da laranja, começa a perder força, para a industria de maquinas e auto peças. A migração de mineiros e paranaenses, foi fundamental, para aquecer as fabricas que aqui se instalavam. A atração para o trabalhador, era o posto de trabalho, fácil e que o tirava de vez da fome e da miséria do campo, em que viviam e trabalhavam. Para os empresários, a mão de obra barata, destes trabalhadores, os deixava, com tranqüilidade para produzir e lucrar.Com isto, o município começa a ter necessidades, de oferecer a estes novos trabalhadores e aos que aqui viviam, infra estrutura adequada, para os mesmos viverem em nossa terra. A cidade demonstra que não estava preparada para este desafio. E assim a periferia da cidade vai se formando, sem asfalto, saneamento básico, transporte coletivo de qualidade, escolas, etc.

È bom recordar que, a ilha de emprego formal e estável em que vivia o Brasil na década de setenta, contagiava nossa cidade. Assim os problemas sociais, ainda não eram tão crônicos. A gravidade social, se faz sentir nos anos noventa. No entanto, já tínhamos contato com favelas. Localizadas, nas beiras de córregos e mananciais, os barracos, tinham como moradores trabalhadores, com carteira assinada, mas que não tinham condições de obter sua casa própria, nem tão pouco pagar aluguel.

As favelas eram o primeiro sinal de que algo estava errado no plano de desenvolvimento. Outro sinal, foi a retomada das lutas sindicais e populares no inicio dos anos oitenta. A categoria Metalúrgica, foi a vanguarda de movimentos grevistas importantes, naquele período. As reivindicações eram básicas: aumento de salário, condições de trabalho e melhorias no chão de fabrica. Até greve, por papel higiênico e bebedouro, ocorreu naquele momento. Os movimentos populares, incentivados pela Igreja Progressista, tinham como bandeiras importantes: Transporte barato, isenção de impostos aos desempregados, asfalto na periferia e por aí vai.

Se a produção e os dividendos dos patrões iam de vento em polpa, o povo vivia em situação de opressão. Os prefeitos que assumiram, não conseguiram resolver a questão. È nesta toada, entre os anos noventa. Mas isto é conversa para o texto de tréplica.