segunda-feira, julho 23, 2007

SÉRIE: INTOLERÂNCIA

O Ministro de Relações Exteriores, do Governo Lula Marco Aurélio Garcia, cometeu um ato normalíssimo entre nós Brasileiros, o de professar um ato considerado obsceno e desferindo um palavrão mímico. O fato ocorrido em seu gabinete, na ultima sexta-feira, durante a exibição do Jornal Nacional, no máximo foi um descuido, o de deixar a janela do escritório aberta, e seus movimentos e atos expostos, a câmeras de vídeo e foto, de centenas de profissionais, que em momentos de crise, como esta da aviação civil, estão constantemente atrás de furos jornalísticos.

Marco Aurélio, é um político experiente, de primeiro escalão do PT. Um dos fundadores da sigla, dirigiu recentemente o Partido, durante o afastamento de Ricardo Berzoiní, envolvido até as cuecas, no caso do dossiê contra os tucanos. Não agiria o Ministro, tantas vezes acostumado, com tensões políticas, se soubesse que estaria sendo flagrado e em poucas horas sua atitude, tornar-se-ia pública. Não é de sua índole.

Agora, qual Brasileiro, já não desferiu um palavrão ou fez atos agressivos, ou para comemorar a derrota de um adversário, ou para justificar seus erros?. A diplomacia não é um departamento típico do Brasil. Isto não significa, que somos rudes, mal educados ou truculentos. Desferir raiva, ou sentimentos de vitória através de atos de vocábulo obsceno, já faz parte de nosso cotidiano. Quem não fechou uma das mãos e tocou-a com a outra como se fosse um tapa em momentos de tristeza, alegria, ou ódio?. Bem como, quem não desferiu um “Foda-se”, ao adversário, seja na política, no futebol e até no amor?.

Marco Aurélio, não mangou das vitimas do avião da TAM. Embora seja Stalinista e totalmente pragmático, não tripudiou com a tragédia. Apenas quis aliviar sua mente, após saber que o acidente pode não ser creditado a responsabilidade ao governo Lula.

A oposição, que minutos após o choque do Air BUS com o prédio da companhia área, tratou de remeter a culpa ao governo, com o episódio do Ministro, tratou logo de afirmar, que tal gesto teria que ser punido. Pergunto acusar sem provas, não é uma irresponsabilidade? Um desrespeito?. Um tripudio as famílias das vitimas?. Para os Tucanos e Demo(niacos), um belo vão se foder.

O erro de Marco Aurélio foi a janela escancarada. Á da opinião publica, foi o do puritanismo falso, carola e sensacionalista.

Para ilustrar este post, um trecho da crônica “O Direito ao Palavrão” de Luis Fernando Veríssimo, o qual considero fenomenal:
" E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!". Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda- se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda- se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda- se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!. Grosseiro, mas profundo... Pois se a lingua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. "Nem fodendo..."

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Belo post. Mas discordo, o ato do Marco Aurélio foi um gesto de alívio de responsabilidades. (PC)

julho 24, 2007 5:54 AM  

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