segunda-feira, março 23, 2009

PARA NÃO ESQUECER, MAS NÃO COMEMORAR


No dia 31 de Março, fará 45 anos, de um dos acontecimentos mais tristes da História Brasileira e porque não do Século XX. È o aniversário do Golpe Militar, que derrubou do poder o Presidente Constitucional João Goulart, o Jango. Com o Golpe de 64, fecha-se as cortinas para a Democracia e abriu-se uma janela, para a escuridão, para a censura, para o autoritarismo, para a tortura, os assassinatos.

Calcula-se que cerca de 50 mil pessoas foram detidas nos primeiros meses da Ditadura Militar. No exílio mais de 10 mil cidadãos viveram entre março de 1964 e agosto de 1979, quando da promulgação da Anistia. De acordo com o Projeto Brasil Nunca Mais, que resultou em um livro testemunho e histórico das mazelas e crimes do regime, foram acusados de subversão e outros, pelo militares 7.367 pessoas judicialmente. Na fase de inquérito foram 10.034, onde quatro foram condenados a pena de morte (não consumadas), 130 pessoas foram expulsas do País, 4.862 tiveram seus mandatos cassados e direitos políticos, alem de 6.592 militares punidos e pelo menos 245 estudantes expulsos da universidade, isto entre 64 e 79. Se isto não bastasse temos que contabilizar, mais de 5mil pessoas entre mortos e desaparecidos.

O regime ainda propiciou o fechamento das instituições, fazendo vários atentados ao Estado de Direito. A tortura foi um método, embora ilegal mesmo pela ditadura, francamente institucionalizada. Centenas de pessoas, foram sujeitas á humilhações, perseguições, algumas indo á morte, entre elas pessoas ilustres como o Jornalista Wladimir Herzog, o Deputado Rubens Paiva, pai do escritor Marcelo Rubens Paiva, o operário Manuel Fiel Filho, e muitos outros.

64 nos faz refletir sobre duas questões: os motivos que levaram militares e setores das elites e das classes médias a articular o golpe, e a discussão atual sobre a impunidade dos Torturadores e os que praticaram crimes de lesa humanidade.

O primeiro, passou-se a História, como uma medida para evitar que comunistas e socialistas detivessem o poder. Peça de uma propaganda que até os dias de hoje, vemos pessoas e até órgãos de imprensa defendendo tal delírio, tal mentira. O Governo de Jango, nunca foi comunista, muito menos de esquerda. O golpe de 31 de março, vai enterrar de vez, um modelo de populismo nacionalista, que teve em Getulio Vargas seu principal ideólogo, embora o mesmo remonte aos tempos do Brasil do primeiro Império. Um populismo que precisava ter pés em varias canoas, servir a vários senhores, mas que na hora de tomar decisões, elas incorriam para os interesses dos grupos econômicos. Vivíamos a guerra fria, o mundo dividido entre os pró Americanos e os pró Soviéticos e uma imensa maioria de Paises em disputa. O Brasil era um deles não por conta da força das esquerdas, que estavam longe de representar uma alternativa de poder, mas pela política de dubiedade do governo. Mas as forças das elites econômicas, já tramavam um pacto com os Estados Unidos, desde o suicídio de Getulio. A luta pela ampliação de territórios se fazia necessário, tanto para o fortalecimento Americano na Guerra Fria, como para um modelo de desenvolvimento econômico, que buscava concentrar renda, aos Países desenvolvido. Era o Imperialismo do pós guerra se firmando. Para isto se fazia necessário, fechar as democracias, onde elas na avaliação Estadunidense se apresentava frágil.

O Governo de João Goulart, em sua trajetória desde a renuncia de Jânio, sofreu ataques de parte das elites e de instituições como a Igreja Católica. Sua posse, em 1961 foi ameaçada, onde tivemos por conta de tentativas de golpe alguns meses de uma experiência de Parlamentarismo, que com um Plebiscito determinou seu fim e aí Jango pode assumir. Seu mandato precisava de apoio para se manter. A aproximação de setores da esquerda (PCB/CGT e outros) e de progressistas, fazia parte do ideário populista, bem como uma forma de resistência a tentativas de intervenção em seu governo. Mas as tais reformas de base, assumidas pelo governo, apenas para firmar a aliança com estes setores nunca saíram do papel, e mais nunca representaram ameaça para o fim do Capitalismo no Brasil. A ilusão de que a chamada Burguesia Nacional seria a outra ponta de apoio ao governo de Jango, nunca se efetivou pra valer.

A ditadura Brasileira, não pode ser conferida como um episódio localizado e isolado. Neste mesmo período, quase toda a América Latina, foi contaminada por golpes militares que desencadearam, no que os Argentinos chamam a sua, de A Noite dos Generais. A CIA e os departamentos do Estado Americano não mediram esforços para ver concretizada a tática da derrubada de regimes constitucionais e a instalação de ditaduras. Era preciso uma política de mão única, para desenvolver uma economia dependente do Imperialismo, onde o aumento de famélicos e miseráveis se fazia necessário, para este intento.

Não á registros de uma situação objetiva para que o fantasma do comunismo fosse o motivo principal do golpe. As principais instituições de esquerda e liberais, apesar das intensas mobilizações durante o governo Janguista, não conseguiram resistir ao golpe. O CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), principal organismo sindical, marcou uma greve geral para dois dias após o golpe, ficou a ver navios, os trabalhadores por medo ou por desconhecimento do que estava acontecendo, não atenderam o chamado de suas lideranças. E assim foi com os Partidos e setores populares da sociedade.

A ditadura Militar no Brasil, significou então uma estratégia do Capital concentrador e Imperialista de domínio. Esta estratégia não só cerceou liberdades, como criou gerações de alienados e descrentes com futuro de seu País. Alem é claro que ainda manter impunes os assassinos do regime. Mas este é assunto do próximo texto.

domingo, março 22, 2009

PERSONAGENS DA MINHA CIDADE I


MILITANTES DO FUTEBOL

Era um domingo daquele ano de 1970. Meu pai, passava as ultimas instruções para minha mãe- Rita, assim que a gente sair você fecha o bar e o reabre lá para umas quatro da tarde, começa a fritar as cochinhas e os Kibe, para quando o time chegar. E lá ia nós, eu com sete anos e meu pai, subindo na carroceria aberta de um caminhão de turma, do corte de cana. Íamos para mais uma partida de Futebol, do Paulistinha ou Paulista do Bar, equipe amadora do meu Pai. Os jogos sempre após o almoço, e na maioria das vezes, em um campo da zona rural da cidade: São Jerônimo, Marrafom, Parronchi, Centro Rural do Pinhal, Jaguari e outros. As vezes, jogava-se dentro do perímetro urbano. Meu Pai, boleiro, desde sua adolescência, viu no hobby de treinador, a forma de expressar seu amor ao Futebol. Nosso bar era ali na Rua Paraíba, no alto da Vila Esteves, onde morávamos a época. E foi ali que comecei a acompanhar o futebol amador e varzeano da cidade.

Ao longo de uns 15 anos até quase uns 23 anos, tive contato com este esporte, onde o prazer é que movia as pessoas, e não vantagens financeiras ou benesses qualquer. Eram operários, que ralavam oito horas diárias dentro de uma fábrica, loja, lavoura e outra atividade econômica. Moravam quase todos nas periferias do município, onde vários bairros estavam se criando em função da migração principalmente de Mineiros e Paranaenses. O futebol aos domingos, era o ponto de aliviar o estresse destes homens a maioria jovens, entre treze e vinte e cinco anos. Ali a diversão e o congraçamento eram situações certas. A solidariedade entre eles, foi um aspecto que detectei desde o inicio. O time tinha uniforme, gastos com transporte, com as comemorações após as partidas. Não havia patrocinador famoso, a famosa vaquinha ou o sistema de contribuição mensal, eram uma das formas para manter este lazer tão importante. As vezes uma briguinha dentro ou fora do campo, acontecia mas nada que gera-se, violência a ponto de tirar vidas e afastar as pessoas da pratica do esporte.

Equipes lendárias e que revelaram vários jogadores até para equipes profissionais da cidade e do estado. Destaco, o Rosalia do alto da Vila Esteves, o Refiunião, o Primavera (do saudoso Peixeiro), o Lazinho (do Saudoso Dirceu do Paulistano), o Ipiranga (do Osvaldinho e do Polêmico Toureiro), o Paulista do Mercado (do Zezinho da Barbearia ali da Sete de Setembro), o Corintinha (do Charuto) e outros. Meu pai gostava de dirigir equipes novas e sem muita badalação, de preferência de vila, como se costumava falar naquela época: Vasquinho do São Cristóvão, Citral, ABC e SERVA, da Vista Alegre. Mas passou também por equipes com uma estrutura melhor, como o Juniores da Inter de Limeira nos anos 70, o Serafim (do ex Vereador Ismael Calça) e o Santa Cruz (do Boleiro Chicão). Desfilaram pelos campos do futebol de diversão em Limeira, jogadores que depois incursaram pela vida profissional, como Dadona, Tite, João Ferraz, Paulinho Caju, Airton Vermelho, Osmar Cetim e muitos outros.

Os locais dos jogos, a maioria sem alambrados ou instalações como arquibancadas para os torcedores. Muitos dos campos de jogo, tinham metade grama, metade areia. Não havia ajuda da administração municipal, que cuidava apenas dos estádios para as duas equipes profissionais da cidade. Mas o amador na cidade era um sucesso, um celeiro de revelações e de bons jogadores.

Posso citar de memória alguns confrontos que marcaram o futebol amador na cidade. Os jogos entre as equipes amadoras do Galo e do Leão, que mesmo com os profissionais, mantinha os times nos campeonatos. Os derbis de vila, como SERVA e ABC, Morro Azul e Piratininga, Rosalia e Independente. Partidas memoráveis, como os quatro a um do Primavera do Peixeiro, contra o todo poderoso do Lazinho, ou a final entre Serva e Internacional no Limeirão, um 3x2 que colocou sob suspeitas alguns jogadores da equipe do JD. Vista Alegre (é suborno também tinha naquela época).

Os árbitros estes eram atração dos espetáculos, como são até hoje. Cansei de ver os caras correndo para o vestuário, com medo de apanhar, não havia proteção policial, não. De cabeça, me recordo dos nomes do Baca, engraçadissimo, do Carlão, do Manga e do Ditinho. Árbitros que se profissionalizam depois, como Flavio de Carvalho, apitaram em nossa várzea.

Tempos áureos em nosso futebol. Tempos que dinheiro não tinha a menor importância. A paixão pelo esporte e o que dele se retira, como espírito de coletivo, solidariedade, amizade, é o que realmente interessava. Este texto é uma homenagem a todos os boleiros citados e não citados, e em especial a meu Pai, o João Lopes como é conhecido na Várzea, pela belíssima contribuição que deram para a formação de bons craques e por que não grandes seres humanos.

sábado, março 14, 2009

EM CONTA GOTAS



* A cantora e compositora Márcia Tauil é uma das finalistas a melhor interprete de 2009, em concurso promovido pelo site Festivais do Brasil. Ela é uma grande artista. No próprio site tem um link de pagina dela onde é possível ouvir suas músicas. Como cabo eleitoral dela, peço que votem, acessando estes links: http://www.festivaisdobrasil.com.br/ ou http://www.festivaisdobrasil.com.br/formularios/trofeufb2009.htm .

* Descobri um site para lá de interessante. È o resgate da antiga revista semanal “O Cruzeiro”, que rivalizou com a Manchete e a Veja, o titulo de semanário do País. De propriedade do Diários Associados de Assis Chateaubriand, a revista alternou momentos de defesa a governos, como a coluna de David Nasser do dia 10 de Abril de 1964, onze dias depois do golpe, onde o jornalista defende e justifica os militares no poder. Depois todas as empresas do conglomerado dos Chateaubriand, questionaram o regime se opondo a ele. Este motivo aliado a uma administração atrasada para os moldes da época, levaram a revista a fechar em 1975. Como patrimônio Histórico vale pena navegar no site e reviver, as colunas do amigo da onça e de Millor Fernandes. Acesse lá: www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/ .
* O Jornal de Piracicaba, em sua edição de 12 de março, traz uma matéria super interessante em seu caderno Cidades. Trata-se de uma pesquisa realizada pelo Vereador José Fernandes Paiva (PT), por ocasião do Dia Internacional da Mulher, onde funcionárias da Câmara Municipal, são entrevistadas, sobre o Assédio Moral. E Sexual. A surpresa é o numero significativo de mulheres que afirmam já terem sido assediadas no legislativo, 28% do universo de 91 entrevistadas. Vale a pena conferir. Acesse:
http://www.bancadigital.com.br/jpiracicaba/reader2/Default.aspx?pID=2&eID=295&lP=4&rP=5&lT=page.

* Olha as vezes eu acho que a Prefeitura Municipal de Limeira, comete algumas irresponsabilidades, entre elas divulgar informações sem um mínimo de provas ou evidências. Na ultima sexta feira, dia 13 de março, através da Assessoria de Imprensa, a administração municipal, soltou um release onde afirma que vários materiais do horto florestal foram furtados por integrantes do MST. Na matéria não há nenhuma prova sobre a denuncia, apenas fotos dos locais onde supostamente foram os objetos roubados;

* Este tipo de terrorismo, não contribui em nada com a solução do conflito. È preciso ter no dialogo a única forma de resolver os problemas. A Prefeitura já tinha soltado um boato de que haveria o tal Carnaval Vermelho, com ocupações na região. Isto não ocorreu. Afirma que ofereceu outra área aos acampados, mas pelo que consta, isto não chegou a acontecer. Alias a Prefeitura deveria aproveitar os seus relesses para realmente informar e não fazer propaganda política e eleitoral. Penso que o tal release foi para tentar desviar o foco. Um dia antes o MST, foi a público informar suas reais intenções que se resumem á Reforma Agrária, para gerar empregos e renda.

* Alias sobre estes factoides da administração, o colunista Cláudio Bontorim da Gazeta de Limeira, escreve em sua coluna de sábado, dia 14 de março. Naveguem lá:
http://new.gazetadelimeira.com.br/Noticia.asp?ID=18841 .

* E falando em matéria. No Jornal de Limeira na página 02, tem um texto assinado pela ex coordenadora do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) durante os governos dos Tucanos em Limeira, a parenta do Governador José Serra a senhora Maria Serra. Ela como católica praticante, defende no texto Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, as posições do Bispo de Olinda e Recife, que excomungou a mãe e a equipe médica que fez o aborto na menina de nove anos, estuprada pelo padrasto. Embora discorde em muito do texto, respeito os argumentos. Ou melhor quase todos. Não posso concordar com o ultimo parágrafo, que mais uma vez mostra a veia preconceituosa que já presenciamos em outras pessoas. Acusar o presidente de um homem sem cultura e mal educado é mais uma vez, contribuir com o Apartheid social. Só tem direito a cargos públicos o formado na Sorbonne? . Não da pra tolerar isto. Acessem lá: http://www.jornaldelimeira.com.br/site/noticias_detalhes.php?ID_Noticia=26278 .

* A comunidade do Orkut Música Cafona e Jovem Guarda, http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=31666653 , tem um tópico Jogo da Memória - quem é o artista da foto http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=31666653&tid=5226316892480390083 que tem vários jogos. Um deles quais são os livros preferidos da comunidade. Venceu a Bíblia.

* Mas eu divulgo a minha lista que foi dura pra fazer porque ficaram no mínimo uma dúzia de obras:
1- Ensaio Sobre a Cegueira- José Saramago
2- Memórias de minhas putas tristes- Gabriel Garcia Márquez
3- Contos escolhidos de Machado de Assis
4- O Nome da Rosa- Umberto Eco
5- A Era dos Extremos- Eric Hobssbaum
6- 1968 o Ano que não terminou- Zuenir Ventura
7- A Mãe- Máximo Gorki
8- O Banqueiro Anarquista- Fernando Pessoa
9- As Veias Abertas da América Latina- Eduardo Galeano
10- A História da Riqueza do Homem- Léo Hubberman


* A Frase: “Você esta indo embora de mim”. Da Personagem Maya de Juliana Paes ao seu amado Bahuam vivido por Marcio Garcia na novela global Caminho das Índias.

O INFERNO SÃO OS OUTROS


Esta frase saiu da boca do personagem Garcin do espetáculo “Entre quatro paredes”, do francês Jean Paul Sartre. Escrevo este texto depois de rever uma cópia do roteiro da peça, que esta sendo lida pelo meu amigo, Ronald Gonçales, Assessor do Vereador Farid Zaine. Sartre sempre foi um de meus autores preferidos. Primeiro por sua evolução teórica, de um autor calcado no existencialismo (mesmo criticando Nietzsche) sem chão pratico, para um filosofo que acreditava ser o papel dos intelectuais o engajamento social, nas lutas populares. Durante toda sua vida, militou em varias causas de esquerda, e alem de tudo rompeu com o Partido Comunista Francês, questionando o Stalinismo e conclamando a liberdade. O segundo motivo de minha preferência é sua fé no ser humano, pois defendia que só os humanos tinham uma essência que precedia sua existência. Portanto a capacidade de pensar e agir, sem instintos e de forma racional. O terceiro motivo, sua coragem em romper com os formalismos e padrões da sociedade. Cito dois exemplos: sua recusa em receber o premio Nobel de Literatura em 1964 e sua relação com a escritora Simone de Beauvoir , em que se admitia outras relações amorosas, mas que sempre um volta para outro.

Reli então Entre quatro paredes, segunda incursão de Jean Paul pela dramaturgia. Escrita em 1944, ainda com a França ocupada pelos Nazistas, Sartre procura com esta obra discorrer sobre seus pensamentos filosóficos, bem como utilizar uma linguagem metafórica, muito própria de tempos de repressão e que vai caracterizar quase toda a obra Sartriana. Ao contrario de seu primeiro trabalho teatral “As Moscas”, onde Sartre bebe da fonte da mitologia grega, para falar de Liberdade, da livre escolha do ser humano na vida, em Entre quatro paredes, a temática é toda existencialista. Vai rasgando os dramas pessoais dos personagens, deixando-os nus, um diante do outro.

A História se desenvolve em um único ato e em um único cenário. Jean Paul Sartre há muito almejava fazer um espetáculo, com esta estrutura, por entender que a ação seria de melhor entendimento do público por estar concentrada em um ambiente só. Um elenco formado por quatro personagens: Garcin (um homem de letras, exponhe toda a sua covardia, com atitudes de agressividade e indiferença); Inês (cheia de ódios, não se esconde atrás de aparências e se diverte com o sofrimento dos outros. È homossexual e se interessa por Estele); Estele (Despreza Inês, mas pela condição social.Estele é uma Burguesa, que em nome do conforto e de conveniências de classe, matou a criança que teve de seu amante); e por ultimo um criado, que tem uma participação enigmática no texto.

O inferno é o local que se desenvolve a trama. Mas não o inferno da mitologia cristã, aquele de fogueiras, diabinhos com tridentes. Uma sala em um estilo segundo império, com sofás e uma lareira que mantem uma estatua de bronze em sua base superior. Os três são confinados ali. No começo há todo um constrangimento e duvidas, quanto ao local, o que exatamente era aquilo. Nenhum dos personagens se conhecem, aos poucos seus problemas vão sendo revelados, com muita disputa entre eles, onde o egoísmo, a sedução, a truculência são utilizados neste jogo de poder.

No final os personagens descobrem que não haverá carrascos que farão deles churrasquinho no rolete. Eles mesmos serão torturados uns dos outros por toda a eternidade.

No Brasil teve varias montagens, entre as mais famosas, a primeira de 1950, pelo Teatro Brasileiro de Comédia, com direção de Adolfo Celi e a segunda em 1974, com direção do cinemanovista Sergio Luis Person (São Paulo S/A), com Nathalia Timberg (Inês), Liliam Lemmertz (Estele), Luiz Linhares (Garcin) e Antonio Maschio (o criado).